SOBRE O ARTISTA

José Carlos BOI Cezar Ferreira

José Carlos Cezar Ferreira (Marília SP 1944). Pintor, desenhista, escultor. Entre 1968 e 1969, o artista, conhecido como "Boi", cursa desenho na Chouinard Art School, em Los Angeles, Estados Unidos. De volta a seu país, freqüenta a Escola Brasil:, entre 1970 e 1973, é aluno de Carlos Fajardo (1941), Luiz Paulo Baravelli (1942), Frederico Nasser (1945) e José Resende (1945), e em 1974 torna-se professor de arte da escola. Realiza a primeira individual no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp em 1976, quando também recebe o prêmio de viagem ao exterior no 7º Salão Paulista de Arte Contemporânea. Viaja para a Europa no ano seguinte. Na exposição De Alberto para Antônio, ocorrida na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, em 2000, apresenta monotipias com as quais presta homenagem à obra de Aleijadinho (1730 - 1814) e às paisagens de Guignard (1896 - 1962). Em produção recente, exposta em 2004 na mesma galeria, volta-se para as paisagens urbanas.

Comentário Crítico

Boi, pseudônimo do pintor, desenhista e escultor José Carlos Cezar Ferreira. Sua obra apresenta um caráter experimental e investigativo. Destaca-se, sobretudo pelo uso às vezes surpreendente da cor, como no quadro Nu no Sofá - Leila (1975), estruturado em vários planos criados pela justaposição de cores. Como nota o historiador da arte Luiz Marques, em contraste com o trabalho de contraposição cromática, o artista, ao pintar o corpo da modelo adormecida em serena sensualidade, trabalha o acrílico como óleo, explorando os diferentes empastes e a transparência. Para além do virtuosismo da pintura, há na obra a faculdade de sugerir a experiência de um momento. A questão ecológica é o tema de muitos quadros, como Mata Ciliar ou Reflorestamento (ambos da década de 1980), que se destacam pela grande simplificação formal. O artista, em suas obras, mantém diálogo com a abstração, como em Cachoeira (também da década de 1980), na qual a sugestão de movimento da água é obtida por uma sucessão de pequenas manchas de cor. O uso inesperado da gama cromática e a luminosidade controlada conferem a algumas paisagens um caráter irreal.